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MANNHEIM
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009






MANNHEIM
Uma breve abordagem de "Ideologia e Utopia"

Em “Ideologia e Utopia” (1986), Mannheim atentou para a relação-chave de sua proposta, a saber, aquela entre conhecimento e existência. O conhecimento tem sua base precisamente em condicionantes sociais e históricos; é, portanto, um elemento que não se pode tomar de modo desvinculado da esfera social na qual emerge e de seus produtores.

Aí está a idéia de "perspectiva", que se baseia na situação histórico-social em que se encontra este ou aquele produtor de determinado conhecimento, porém sempre coletivamente substanciado. É necessário ressaltar que, em Mannheim, a análise de uma idéia individual sociologicamente relevante tem de passar pela observação de sua origem social. Este é um ponto fundamental aqui.

Os aspectos relacional e perspectivista são dois pilares da sociologia do conhecimento mannheimiana; são, como o próprio procurou demonstrar, precondições para a feitura da sociologia do conhecimento. O retorno analítico à base das idéias, originariamente do lugar e/ou posição social que dão sentido às mesmas, é tarefa daquele que procura a análise do conhecimento válido sociologicamente.

A base de todo conhecimento produzido tem como ponto de partida, e sendo assim, fator explicativo, o grupo social específico daquele que produz o conhecimento. Desta forma, Mannheim procura romper com o método de análise da história das idéias descolado do processo social (Hegel), o qual fornece sentido e substância. Em última instância, os processos sociais exercem influência sobre o processo de produção de conhecimento.

A base de todo conhecimento produzido tem como ponto de partida, e sendo assim, fator explicativo, o grupo social específico daquele que produz o conhecimento. Desta forma, Mannheim procura romper com o método de análise da história das idéias descolado do processo social (Hegel), o qual fornece sentido e substância. Em última instância, os processos sociais exercem influência sobre o processo de produção de conhecimento.

(recuado) Em nossos dias, já parece estar perfeitamente claro o fato que o antigo método da história intelectual, orientado para a concepção a priori de que as mudanças de devessem ser entendidas ao nível das idéias (história intelectual imanente), bloqueava o reconhecimento da penetração do processo social na esfera intelectual (MANNHEIM, 1986, p. 289).

Chegamos, assim, ao ponto do pensamento mannheimiano que nos interessa aqui, na medida em que o processo histórico social exerce influência fundamental sobre a produção de conhecimento. Como as transformações histórico-sociais podem ter indicado novos rumos e caminhos do conhecimento?

A relação entre pensamento e realidade histórico-social ganha, em Mannheim, duas configurações psicossociais, que se contornam de acordo com o grau de tensão da referida relação: estamos falando de ideologia e utopia. Ambas as noções vão de encontro à existência historicamente determinada, ou no mínimo, tem-na como parâmetro configurador, na medida em que são transcendentes à própria existência social. Ideologias e utopias são, antes de tudo, para Mannheim, estados de espírito, sejam individualmente ou coletivamente determinados (principalmente no caso de ideologias), porém a transcendência destes estados de espírito têm fins de realização distintos.

O escopo ideológico enquanto mentalidade constituída pode ser encontrado, segundo Mannheim, de forma parcial (ou individual) e coletiva (ou de grupo). A primeira diz respeito a ideologias individuais, que por assim serem, acabam tendo interferência em intensidade na realidade histórico-social, é a chamada concepção parcial de ideologia, realizada no nível psicológico. A concepção parcial de ideologia que possui efeito coletivo (e justamente por isso tem importância sociológica) refere-se, em Mannheim, a grupos sociais historicamente conformados, como a “classe”, por exemplo.

A última e a mais importante etapa de criação da concepção total de ideologia surgiu igualmente do processo histórico-social. Quando a “classe” tomou o lugar do “folk” ou da nação, como portadora da consciência historicamente em evolução, aquela mesma tradição teórica, o que já nos referimos, absorveu a noção de que a estrutura da sociedade e suas formas intelectuais correspondentes variam com as relações entre as classes sociais (MANNHEIM, 1986, p.94).


texto incompleto falta terminar....aguardem

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